Guia de como começar uma
Iniciação Científica
Fluxo Básico de Iniciação Científica na Santa Casa
O que é uma Iniciação Científica?
A Iniciação científica (IC) é a primeira experiência do(a) aluno(a) de graduação com a pesquisa acadêmica. Com a orientação de um pesquisador experiente, o(a) aluno(a) deverá desenvolver o pensamento científico, aprender a explorar criticamente a literatura, elaborar projetos de pesquisa, redigir textos técnicos para publicações e congressos, além de aprender técnicas e métodos de pesquisa.
A escolha do orientador cabe ao(à) aluno(a), embora limitada pela disponibilidade do docente. O tema a ser estudado deve ser discutido entre os dois, mas é preciso ter em mente que o professor vai orientar em um tema que faça parte de sua linha de pesquisa, também considerando os recursos e a capacidade da instituição e dos participantes.
A IC pode ser realizada com ou sem bolsa, sendo esta um valor pago ao(à) aluno(a) como forma de reconhecimento acadêmico e incentivo à pesquisa. Ambos os tipos necessitam de certa formalização para serem registrados e reconhecidos pela Comissão Científica da Faculdade. Nos casos sem bolsa, o registro pode ser feito durante o ano inteiro; nos casos com bolsa, geralmente há prazos mais específicos.
Método Científico
Método Científico
Confiamos nas ideias científicas porque acreditamos que elas foram submetidas ao rigor do método científico e então consideradas verdadeiras. Isso não significa que essas ideias são imutáveis, apenas que são as informações e ideias mais confiáveis que temos sobre um determinado assunto até o presente. A descoberta e acúmulo de novas evidências não apenas possibilitam, mas demandam a constante ampliação e transformação desse conhecimento. Dessa forma, podemos conceituar método científico como mecanismos através dos quais chegamos a informações novas e divulgamos essas informações.
O método científico tem como etapas básicas:
Observação de um fenômeno
Questionamento
Elaboração de hipóteses
Teste das hipóteses por experimentação ou mais observação
Análise de dados
Conclusões
Divulgação dos resultados
Pensamento Científico
O pensar científico tem algumas características:
Empirismo: Uso de evidências empíricas, que podem ser atestadas pelos sentidos: visão, audição, tato, paladar, olfato.
Racionalismo: Uso do pensamento lógico. Ao desenvolver suas ideias, todos os passos de seu raciocínio devem ser válidos.
Ceticismo: Questionar constantemente as próprias crenças e conclusões.
Conhecimento Científico
O conhecimento científico é acumulativo: deve-se saber o que foi feito antes para descobrir coisas novas. A revisão de literatura deve ocorrer durante todo o projeto de pesquisa.
As ideias devem ser postas a teste: o objetivo da ciência é compreender o mundo com precisão. Se as ideias são protegidas de testes, como confiar que são corretas? A ciência progride por questionamento e dúvida constante. Pense em explicações diferentes para os fatos que observou; pense em testes que poderiam refutar suas proposições. Uma ideia que continua sólida após séria contestação tem probabilidade muito maior de estar correta do que uma ideia que não esteja aberta a questionamentos.
Evidências devem ser assimiladas: não se apegue demais à sua hipótese – se encontrar evidências que contrariem sua ideia, você pode suspender seu julgamento até que sejam feitos novos testes, revisar ou rejeitar a ideia, ou propor novos mecanismos para explicar a presença dessa nova evidência. Não se pode sustentar hipóteses sem comprovação científica: as evidências nunca podem ser ignoradas, mesmo as que indicam que você está errado.
Comunique abertamente suas ideias e testes: compartilhar ajuda a desenvolver e testar suas ideias, recebendo auxílio ou olhar diferente daquele com o qual você está habituado. Sempre que possível, fatos devem ser confirmados por várias fontes; o debate é incentivado, sendo muito produtivo contar com a participação de especialistas de várias áreas de conhecimento.
Integridade científica: deve-se ter altos padrões de honestidade e ética. Omitir, copiar ou falsificar dados e trabalhos é inaceitável.
Como escolher um orientador
O professor orientador deve ter Título de Doutor, o que pode ser conferido através do currículo lattes, por exemplo. Embora na prática aconteça de professores sem doutorado efetuarem a orientação, para oficializar e requisitar bolsas é obrigatório que o professor tenha doutorado.
Via Institucional
Listas de docentes da FCMSCSP podem ser encontradas no site oficial da FCMSCSP.
Também contamos com uma lista de professores que já se dedicam a alguma linha de pesquisa e que aceitam alunos de graduação, ainda que seja importante ressaltar que existem outros orientadores além destes listados. Os dados iniciais foram fornecidos pela pós-graduação da FCMSCSP, e nos esforçamos para atualizar e incluir novas informações constantemente.
Questões a Considerar
➣ Quais são seus objetivos a curto e longo prazo? Quais são seus valores mais importantes?
Que habilidades você quer adquirir? Se seu projeto de IC for bem sucedido, que resultados você espera? Publicar artigo, receber certificado, apresentar em um congresso?
➣ Veja que cada um tem características diferentes que considera importante na orientação. Alguns precisam de reuniões frequentes, enquanto outros precisam de pequenas indicações na direção certa. Procure saber, então, se o orientador é compatível com suas necessidades:
É atencioso? Tem disponibilidade de tempo?
É fácil encontrá-lo quando necessário?
Vocês têm algo em comum?
Quais são suas expectativas a respeito da orientação?
Qual será a frequência de reuniões entre vocês?
Como você agendará as reuniões?
➣ Converse com os atuais orientandos e ex-orientados, de preferência pessoalmente – nem sempre o(a) aluno(a) se sentirá confortável para criticar seu orientador por escrito. Algumas sugestões de perguntas:
Ficou satisfeito com a orientação? Por quê?
Teve a orientação que precisava?
Manteve contato com o orientador?
Existe algo que você gostaria de ter sabido antes de escolher esse orientador?
Faria outro projeto com este professor?
Qual foi o principal fruto do estágio? Aprendizado teórico, aprendizado prático, aprendizado clínico, aprendizado técnico-laboratorial, participação em congresso, publicação de artigo, networking?
➣ Tente conhecer a trajetória dele, da graduação até a situação atual.
Procure marcadores de atividade e estima acadêmica – por exemplo, se publica regularmente na área de atuação, participa em congressos, oferece palestras sobre o assunto de pesquisa, mantém o CV lattes atualizado.
➣ Verifique se ele tem boas conexões – muitas oportunidades podem surgir a partir de indicações. Verifique se colabora e se publica junto com grupos importantes, se mantém colaborações regulares entre departamentos ou entre diferentes instituições, o que pode abrir portas aos alunos. Se há interesse em intercâmbio internacional, os vínculos internacionais do orientador são relevantes para facilitar o processo, embora não sejam uma necessidade absoluta.
Aprenda dos melhores: procure um professor que seja especialista na sua área de interesse ou que faça parte de um grupo renomado, de forma que mesmo que ele esteja em início de carreira seja possível seu contato com pesquisadores seniores naquela área.
➣ Alguns locais onde buscar essas informações:
CNPq (Lattes)
FAPESP
Google Acadêmico
ResearchID
Curso Preparatório para Iniciação Científica
A Santa Casa estabelece a participação em um Curso Preparatório para Iniciação Científica como requisito para participar de um projeto de pesquisa oficialmente. É de interesse especialmente para alunos que desejam se candidatar à bolsa PIBIC. O curso é coordenado e organizado pela Comissão Científica e é oferecido normalmente uma vez por ano.
Perguntas Frequentes
➣ Preciso pegar certificado do curso?
A Comissão científica fornece o certificado, mas não é necessário entregá-lo quando for se inscrever para a bolsa. Isso porque a inscrição para bolsa é feita na própria Comissão Científica, portanto eles irão conferir automaticamente sua presença no curso.
➣ Já fiz o curso antes, preciso fazer novamente?
Você só precisa fazer o curso uma vez durante a graduação. O curso sofreu grandes alterações em 2021, mas a conclusão em anos anteriores ainda é válida.
➣ Como é o curso?
O curso foi reformulado em 2021. Atualmente, é autoinstrucional e realizado de maneira remota por meio do AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem), composto por 8 módulos no total. Para a certificação, é necessária a submissão de um relatório reflexivo com uma ideia de projeto que permeie as temáticas apresentadas nas videoaulas, bem como obter nota igual ou superior a 7,0 na realização de uma prova de múltipla escolha.
Os temas abordados no curso são:
Conhecimentos Gerais (IC, bases bibliográficas, método científico, objetivos, conceitos e variáveis, tipos de estudo e elaboração de artigo)
Cálculo Amostral
Ensaios Clínicos
Experimentação Animal
Biossegurança
Desenhos de Estudo
Ética em Pesquisa
Bases de Dados (REDCap)
Escrevendo o Projeto – Estrutura básica
O modelo a seguir é uma descrição geral de um projeto conforme as orientações PIBIC. Outras instituições podem esperar estruturas um pouco diferentes. Fique sempre atento ao que for requisitado em edital específico.
➣ A primeira página é a Folha de rosto, contendo:
Título do projeto;
Autor;
Coautor (se for o caso), os quais não são certificados pela FCMSCSP;
Orientador responsável;
Local onde o projeto será desenvolvido
Ano da realização da pesquisa.
➣ As próximas páginas serão o conteúdo propriamente dito do seu projeto:
Introdução
Objetivos
Métodos
Referências bibliográficas
Cronograma
Orçamento e fonte de financiamento
Apêndices
Vamos descrever brevemente o que é esperado em cada uma das seções.
I. Introdução
Define a questão da pesquisa, estando normalmente relacionada ao objetivo geral. Deve ser concisa e conter informações relevantes e atuais da literatura (com as respectivas citações de referências bibliográficas). Deve explicar a importância e relevância do projeto e descrever os potenciais benefícios que o projeto trará.
II. Objetivos
O objetivo estabelece a direção para a pesquisa, ou seja, declarar os objetivos num projeto significa explicitar os propósitos da pesquisa – relaciona-se com o objetivo específico. Devem ser claros, factíveis e, portanto, não serem vagos. A redação de um objetivo começa com verbos no infinitivo (como “analisar”, “identificar” e “comparar”). Os objetivos costumam ser classificados em geral e específico:
Um objetivo geral expressa o foco central ou a principal ação que se pretende alcançar em um estudo e deve se relacionar diretamente com o objeto de estudo. Já os específicos são ações que desdobram a ação geral ou apontam para dimensões do foco central a serem atingidas.
III. Métodos
Abaixo temos algumas das informações que são esperadas para a seção “Métodos” do projeto, subdivididas em itens apenas para facilitar a compreensão.
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Qual é o tipo de estudo. Deve ser especificado e adequado para atender aos objetivos.Exemplo: Transversal, caso-controle, coorte…
ATENÇÃO: Somente retrospectivo ou prospectivo não define o desenho do estudo.
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Onde será realizado o estudo (pode ser: bairro, instituição, departamento…) e motivo de escolha do campo.
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Quem o projeto pretende estudar.
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O tamanho amostral deve ser definido. Estudos que pretendem testar hipóteses devem conter um cálculo de tamanho de amostra, baseado no tamanho do efeito esperado (dados da literatura). Também deve definir como conseguirei a amostra.
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Como escolherei quem participa e quem não participa (e os porquês). Os critérios de inclusão devem ser específicos, definindo a população do estudo. Os critérios de exclusão devem ser parcimoniosos.
ATENÇÃO: Os critérios de exclusão não são os opostos dos critérios de inclusão!
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Citar as variáveis que serão coletadas e estudadas. O que vou analisar? Quais dados serão captados?
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Descrever, em detalhes e em sequência
O conjunto de procedimentos de pesquisa que serão executados.
Como as variáveis de estudo serão coletadas.
Caso sejam utilizados questionários para entrevistas ou formulários para coleta de dados, apresentar como anexos.
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Devem estar descritos os métodos estatísticos que serão utilizados (medidas e testes), assim como o nível de significância estatística que será adotado.
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Especialmente importante se envolve humanos ou animais. O projeto deve ter sido submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos ou Comissão de Ética no Uso de Animais.
Quando envolver seres humanos, os participantes deverão concordar em participar do estudo e deverão assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (O TCLE, quando aplicável, deve ser um dos anexos). Os pesquisadores envolvidos comprometem-se a manter a confidencialidade dos dados.
IV. Referências Bibliográficas
As fontes utilizadas e citadas no texto do projeto devem ser listadas no final do projeto. Devem estar numeradas e formatadas corretamente segundo a Norma da Faculdade (Vancouver).
V. Cronograma
Normalmente, é apresentado como um quadro ou lista com períodos e atividades que serão realizadas. Veja um exemplo para 2021 – 2022:
VI. Orçamento e Fonte de financiamento
O orçamento de pesquisa deve ser apresentado, principalmente, em projetos com financiamento para a realização da pesquisa; pode ser estruturado por natureza de despesa e por fase da pesquisa. Recomenda-se ser específico (para cada item: material permanente, material de consumo, pessoal, etc).
Quando o orçamento de um projeto for aprovado por um órgão de fomento, deve constar a fonte financiadora, quando for o caso, já que pesquisas podem ser realizadas por recursos próprios.
VII. Apêndices
Complementa as informações do projeto. Exemplos: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, Instrumento de coleta de dados, Ficha de observação.
Fonte: Anexos do Edital para PIBIC – I, II e III.
Como escolher uma pergunta de pesquisa e definir objetivos do trabalho?
Escolhendo a pergunta certa
O pesquisador não se destaca pelas respostas, mas sim pelas perguntas que propõe. Muitas vezes a dificuldade de resposta é devido a perguntas inadequadas: mesmo que estejam disponíveis mão de obra e habilidade técnica, sem a pergunta certa podemos não chegar a nenhum resultado.
Algumas características são necessárias para conseguir fazer uma boa pergunta:
Conhecimento global da literatura: Não é conhecimento de toda a literatura, isso seria impossível! Mas é preciso estar antenado às publicações e aos descobrimentos relevantes, e não se restringir apenas à temática específica que se quer abordar. A interface entre a área médica e outras áreas gera resultados muito ricos – pense na interação necessária entre biologia e física para desenvolver um equipamento de ressonância magnética nuclear, por exemplo. Não busque perguntas exclusivamente na sua área.
Questionar as verdades que são consideradas absolutas: Algumas afirmações acabam se tornando dogmas devido a falta de ceticismo. Se o texto científico faz uma citação de resultado de um outro texto, procure sempre verificar o trabalho original para evitar a propagação de conclusões incorretas.
Ter expertise na área: Você ou seu orientador devem saber quais são os problemas da área, quais são as metodologias usadas e compreender os aspectos a serem examinados.
Pergunta ideal x Pergunta certa
Pergunta ideal: É algo com relevância e impacto no conhecimento científico. Seria maravilhoso respondê-la! Mas talvez falte-lhe tempo, dinheiro ou mesmo habilidade técnica para isso.
Pergunta certa: É derivada da pergunta ideal, sendo geralmente uma parte dela. Mas veja só, essa parte você tem condições de responder!
No livro Designing clinical research (Hulley et al, 2007), algumas características são listadas para ajudar a definir se você tem a pergunta certa. Elas formam o acrônimo “FINER”: Feasible, interesting, novel, ethical, and relevant.
FINER
Feasible: É factível? Tenho pessoal, habilidade, equipamento, financiamento e tempo necessários? Tenho acesso aos dados de que preciso?
Interesting: É interessante? Você vai ter que lidar com o assunto por bastante tempo. Faça algo que seja muito intrigante para você, pois a exigência e dedicação exigidas levam naturalmente a um desgaste do pesquisador, mesmo que você tenha alguma curiosidade pelo tema – imagine se você não gostar muito dele.
Novel: É novidade? Confirma, refuta ou amplia descobertas anteriores? Preferencialmente, deve gerar um conhecimento novo, embora seja exigência real apenas para o doutorado.
Ethical: É ético? Sempre é necessário considerar este quesito, especialmente se envolve humanos e animais – lembre-se ainda que neste caso é necessária a aprovação no CEP ou CEUA.
Relevant: É relevante? Terá importância para o conhecimento científico como um todo, para políticas clínicas e de saúde pública, para pesquisas futuras? Para conhecer a relevância você deve estar atualizado – lembre-se do conhecimento global da literatura que recomendamos anteriormente.
Objetivo
Pense agora no seu projeto de pesquisa de maneira bastante pragmática. Ele terá uma seção “objetivos”, onde o leitor é informado sobre o que você quer alcançar em seu estudo. O texto deve ser redigido de forma clara e direta – em publicações científicas evita-se rebuscamento literário, sendo a meta informar o público alvo. Seus objetivos devem estar atrelados a bons métodos e desenhos de estudo, mas falaremos destes mais tarde.
Podemos dividir seu objetivo em geral e específico:
O objetivo geral é uma declaração das principais relações e associações que você procura descrever ou estabelecer. Estará intimamente ligado à seção “introdução” de seu trabalho.
O objetivo específico surge naturalmente através de perguntas para responder o objetivo geral. Este é o que você deve abordar na seção “objetivos” de seu trabalho.
Lembre-se: Seu trabalho não pode cobrir tudo – um estudo muito abrangente acaba sendo um empecilho e razão para recusa de projetos, já que a possibilidade real de completá-lo é considerada pequena. Concentre-se em um aspecto específico.
Vejamos um exemplo de como chegar a um objetivo específico. Inicialmente escolhemos uma grande área de pesquisa.
Grande área da pesquisa
Vamos tomar como exemplo o Alcoolismo.
Veja que é impossível escrever um grande artigo que contenha todas as informações possíveis sobre uma grande área. Por isso, vamos sugerir algumas subáreas de interesse.
Subáreas:
Perfil dos alcoólatras
Causas do alcoolismo
Como é o processo de tornar-se alcoólatra
Efeitos do alcoolismo na família
Atitudes da comunidade frente ao alcoolismo
Efetividade de um modelo de tratamento.
Veja que cada uma dessas subáreas pode gerar um projeto específico, mas abordar vários deles ao mesmo tempo pode equivaler a dar um passo maior do que a perna. Escolha aquele em que tenha mais expertise, familiaridade, recursos e interesse. Este será seu objetivo geral. Vamos determinar mais subáreas a partir dele.
Sub-subáreas
Digamos que escolhi “Efeitos do alcoolismo nas famílias”. Algumas sugestões de questões de interesse são:
Qual o impacto do alcoolismo na relação do casal?
Como isso afeta vários aspectos na vida dos filhos?
Qual o efeito sobre as finanças?
O que você escolher agora será seu objetivo específico. Lembre-se de verificar se sua pergunta se encaixa nos critérios FINER para ajudá-lo a consolidar sua decisão.
Mas o objetivo não é escrito como pergunta, mas sim como ação; portanto falta uma última alteração.
Reescrever com verbo de ação
No nosso exemplo:
Qual o impacto do alcoolismo na relação do casal?
↓
Estudar o impacto do alcoolismo na relação do casal.
Pronto, seu objetivo específico está definido!
Mas meu projeto tem uma pergunta tão simples…
Qual a cura do câncer? Do HIV? De doenças neurodegenerativas?
Na iniciação científica, o projeto provavelmente não vai ter como resultado a resposta a uma questão como estas – afinal, você está só começando a entrar no mundo científico – mas vai contribuir para um projeto maior e para o desenvolvimento acadêmico do(a) aluno(a). O aprendizado e incentivo a novos pesquisadores é também uma etapa importante do trabalho científico.
Variáveis de estudo
Para a elaboração de um projeto de pesquisa, precisamos de objetivos claros, completos e específicos, e, para isso, contamos com as chamadas “Variáveis de Estudo”.
Se for um estudo que correlacione duas coisas (Ex.: avaliar o efeito de x sobre y), é importante que isso já seja apresentado no objetivo.
Se for um estudo apenas descritivo, por exemplo, “Avaliar o papel do alcoolismo”, não preciso inserir as variáveis.
O estudo pode ser ainda do tipo teste de hipótese, onde já incluo no objetivo a direcionalidade que existe entre as variáveis. Não falarei apenas “avaliar o efeito de x sobre y”, mas sim “avaliar se o aumento de x provoca aumento ou diminuição de y”. Se tenho uma hipótese específica, (x abaixa y), já posso incluir isso no objetivo, delimitando assim o caminho que o leitor do projeto deve seguir para entender o trabalho. É estranho ler um projeto em que existe teste de hipótese, mas em que isso não apareceu no objetivo.
Conceitos x Variáveis
Conceitos são ideias que podem variar de acordo com uma visão subjetiva. Por exemplo, em um projeto cuja pergunta é “Medir a efetividade de um programa de treinamento desenhado para ajudar pessoas jovens”, temos os termos “efetividade” e “jovem” dependentes de uma interpretação subjetiva, sendo portanto classificados como conceitos. Quando queremos operacionalizar esses conceitos (transformando em variáveis), a fim de deixá-los mais objetivos e concretos, utilizamos escalas de mensuração, e é importante ressaltar que, para isso, existem diversos graus de precisão. Essa operacionalização é importante porque é através dela que garantimos a consistência do que está sendo discutido entre todos os envolvidos no projeto, além de facilitar a compreensão e análise posterior do trabalho. Dessa forma, podemos entender variáveis como um conceito que pode ser medido.
Tipos de Variáveis
Variáveis de relação causal: são aquelas envolvidas em uma relação de causa-consequência. Podem ser independentes, dependentes, intervenientes ou de controle.
Independentes: são a “causa”, ou seja, são as responsáveis por promover uma mudança em um fenômeno, situação ou circunstância. Por exemplo: “A amamentação promove melhor desenvolvimento do sistema imunológico”.
Dependentes: são a “consequência”, ou seja, são as consequências da ação de uma variável independente. Por exemplo: “A amamentação promove melhor desenvolvimento do sistema imunológico”.
Variáveis independentes em um estudo podem ser dependentes em outros e vice-versa.
Intervenientes: também chamadas de variáveis de confusão, são aquelas que ligam as variáveis independentes e dependentes, ligando então o percurso causa → efeito, alterando o resultado. Algumas vezes essa relação sequer pode ser estabelecida sem as variáveis intervenientes.
De controle: são aquelas que afetam ou influenciam a ligação entre as variáveis dependentes e independentes, mas não são necessárias para essa relação. Também chamadas de ajuste, confusão.
Variáveis de unidades de medida:
Categóricas ou Discretas: são as variáveis nominais, podem ser Dicotômicas ou Politômicas.
Dicotômicas: apenas 2 aspectos de potencial de resposta. Por exemplo: bom/mau, sim/não.
Politômicas: várias respostas discretas. Por exemplo: partidos políticos, religiões.
Contínuas: não são discretas, não contam com categorias, mas sim com uma medição. Por exemplo: peso em kg, idade em anos, circunferência abdominal em cm.
Ordinais (ranking): indicam a resposta em ranking. Por exemplo: alto, médio, baixo, estágio I, II, III.
Por intervalo: aquelas indicadas por um espectro. Por exemplo: de 10 a 20 anos.
Variáveis de desenhos de estudo:
Ativas: aquelas que podem ser manipuladas pelo pesquisador. Por exemplo: dose de tratamento.
Atribuíveis/Atributo: não podem ser alteradas pelo pesquisador. Por exemplo: idade, altura…
Pesquisa clínica: CEP e Plataforma Brasil
Sempre que o projeto envolver pesquisa com seres humanos, primeiramente é necessário submetê-lo a uma análise ética, que é feita pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). O CEP avalia projetos da ISCMSP, da faculdade ou de qualquer hospital ligado à Irmandade, a fim de determinar se o benefício da pesquisa é muito superior ao risco ao participante. Dessa forma, ele é composto por membros de formação múltipla com o intuito de convergir perspectivas distintas em um mesmo consenso.
Cada instituição possui seu próprio CEP, que está ligado ao Comitê Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP), que, por sua vez, é vinculado ao Ministério da Saúde.
Ao final de 2011, foi criada a Plataforma Brasil, um sistema eletrônico do Governo Federal, que tem por objetivo a formação de uma base nacional e unificada de registros de pesquisas envolvendo seres humanos para o CEP/CONEP.
Para submeter o projeto ao CEP, o(a) aluno(a) pesquisador(a) deve:
Registrar-se na plataforma Lattes, seguindo o passo a passo de preenchimento de informações.
Entrar no site da Plataforma Brasil e se cadastrar.
Preencher dados requisitados – como CPF, maior título acadêmico, endereço do currículo (da plataforma Lattes) e instituição proponente.
Finalizar cadastro.
Assim, quando o(a) orientador(a) – que deve ser funcionário(a) da instituição e também deve possuir cadastro na plataforma – fizer a primeira submissão do projeto na Plataforma Brasil, ele(a) é capaz de vincular o CPF do(a) aluno(a) ao projeto como pesquisador assistente. Dessa forma, o(a) aluno(a) também obtém acesso ao passo a passo da submissão do projeto.
Submissão do projeto
Na submissão do projeto, é recomendável tê-lo aberto ao lado, pois é necessário transcrever certos trechos para a plataforma – como método, resumo, introdução, tipo de estudo e referências.
Não é necessário preencher todos os campos em uma única vez, visto que é possível salvar os dados na plataforma e retornar em outro momento. Além do mais, o projeto apenas é enviado para a avaliação após a finalização da submissão no passo 6.
No passo 5 da Plataforma, é necessário submeter alguns documentos devidamente preenchidos para a Comissão Científica do seu departamento para serem assinados: o projeto em si, a folha de rosto, o formulário de autorizações, o formulário de orçamento, o formulário de consentimento livre e esclarecido e o formulário de compromisso de relatórios parciais e finais.
Em seguida, a Comissão gera uma carta e libera o projeto para que então os documentos sejam assinados pelo(a) diretor(a) do departamento.
A folha de rosto pode ser gerada no passo 5 e deve ser preenchida antes da entrega à Comissão. Em seguida, ela deve ser assinada pelo(a) diretor(a) do departamento.
Os demais documentos estão disponíveis no Portal da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Para acessá-los, basta acessar o site, clicar em Ensino/Pesquisa > IPITEC > Pesquisa > Orientações para Pesquisa > Pesquisas em seres humanos > acessar formulários obrigatórios.
Formulários obrigatórios
Formulário de autorizações
É necessária a assinatura do(a) diretor(a) do determinado departamento.
Às vezes, também é necessária a assinatura do(a) chefe da determinada unidade do departamento.
Formulário de orçamento
Nessa etapa, é essencial preencher todo e qualquer custo da pesquisa, inclusive os mais básicos (papel, caneta, lápis…).
É necessária também a assinatura do(a) diretor(a) do determinado departamento.
Formulário de consentimento livre e esclarecido
O documento é um modelo em que os trechos na cor vermelha devem ser substituídos por informações específicas do projeto do(a) pesquisador(a).
Deve possuir linguagem mais simples.
Caso a pesquisa envolva adolescentes e crianças, é necessário formular um Termo de Assentimento, em que trechos com a identificação do(a) pesquisador(a) e o CEP da faculdade são imprescindíveis para caso o participante da pesquisa deseje esclarecer possíveis dúvidas.
Formulário de compromisso de relatórios parciais e finais
Documento em que o(a) aluno(a) se compromete a atualizar o andamento da pesquisa.
Quando tudo for assinado e aprovado, retorne à plataforma, submeta esses documentos aprovados e prossiga para o passo 6 da Plataforma, onde o projeto será submetido.
O CEP da Irmandade se reúne a cada 15 dias, sendo necessário que o(a) pesquisador(a) submeta seu projeto na Plataforma Brasil em até 12 dias úteis desde a última reunião para ter seu projeto avaliado na reunião seguinte.
Após a reunião, há um prazo de até 30 dias para o(a) pesquisador(a) receber seu parecer consubstanciado, que permitirá, assim, que o(a) aluno(a) dê início à pesquisa.
Submetendo à Comissão Científica do Departamento
A submissão do projeto à Comissão Científica do Departamento onde será realizada a pesquisa é uma das etapas essenciais para envio da IC para a CEP.
É necessário entregar à Comissão os seguintes documentos devidamente preenchidos:
Folha de rosto (gerada pela Plataforma Brasil durante a submissão do projeto)
O projeto em si
Determinados documentos disponíveis no link http://www.santacasasp.org.br (Ensino/Pesquisa > IPITEC > Pesquisa > Orientações para Pesquisa > Pesquisas em seres humanos > acessar formulários obrigatórios:):
Formulário de autorizações
Formulário de orçamentos
Formulário de consentimento livre e esclarecido
*No caso da participação de crianças e adolescentes na pesquisa, é necessário formular um Termo de Assentimento com identificação do pesquisador e CEP da faculdade.
Formulário de compromisso de relatórios parciais e finais
Assim, a Comissão efetiva uma carta e libera o projeto para então o(a) chefe do departamento assinar o formulário de orçamento, o formulário de autorizações e a folha de rosto.
Submetendo ao Instituto de Pesquisa Clínica
Para submeter o projeto de pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Santa Casa, o(a) pesquisador(a) deve ter em mãos os seguintes documentos:
O projeto em si;
Folha de rosto (disponibilizada Plataforma Brasil);
Termo de Compromisso dos Pesquisados;
Formulário de Orçamento (assinado pelo (a) chefe do departamento);
Carta com o Parecer da Comissão do Departamento
Formulário de Autorização (assinado pelo(a) chefe do departamento);
Carta com o parecer do departamento;
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou a dispensa do TCLE; e
Currículo Lattes atualizado.
Após conseguir os respectivos documentos, o(a) pesquisador(a) deve submetê-los para os devidos órgãos de apreciação ética.
Para pesquisas envolvendo seres humanos, o(a) pesquisador(a) deve anexar a documentação na Plataforma Brasil. O parecer da Coordenação de Pesquisa Clínica, bem como o processo de validação e recepção documental será realizado em até 72 horas úteis.
Para pesquisas envolvendo animais, o(a) pesquisador(a) deve entregar a documentação para a Coordenação de Pesquisa Clínica e para o Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA).
Para pesquisas que não envolvem seres humanos nem animais, o(a) pesquisador(a) deve entregar a documentação para a Coordenação de Pesquisa Clínica.
Por fim, o(a) pesquisador(a) deve retirar os documentos que foram analisados no Instituto de Pesquisa Clínica e entregá-los à Comissão Científica.
Para mais orientações ou para obter acesso a esses documentos, procurar um dos diretores científicos ou acessar o site:
https://www.santacasasp.org.br/portal/orientacoes-para-pesquisa/
Endereços:
Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (CEP)
Rua Marquês de Itú, 381 – 4º andar
Comitê de Ética em Uso de Animais (CEUA)
Rua Marquês de Itú, 381 – 5º andar
Instituto de Pesquisa (IRMANDADE)
Rua Santa Isabel, 305 – 9º andar
Comissão Científica
Rua Dona Veridiana, no 55, 1o andar
Bolsas de Pesquisa
Bolsa PIBIC
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) é do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e tem como objetivo apoiar a política de Iniciação Científica desenvolvida nas Instituições de Ensino e/ou Pesquisa, por meio da concessão de bolsas de Iniciação Científica (IC). A cota de bolsas de IC é concedida pelo CNPq à Faculdade, e esta é responsável pela seleção dos projetos.
Duração da Bolsa
A bolsa dura 12 meses (se implementada a partir do primeiro mês de vigência do processo institucional) com início em 1º de agosto.
Valor
A bolsa de Iniciação Científica para o estudante de graduação corresponde ao valor constante da Tabela de Valores de Bolsas no País .
Em 2026, este valor é R$700,00 (verificado em Fevereiro de 2026).
Requisitos
Basicamente, ser aluno(a) de graduação e dedicar-se integralmente às atividades acadêmicas e de pesquisa, tendo um professor orientador que o indique à bolsa.
Podem existir outros requisitos (por exemplo, assistir ao Curso Preparatório para Iniciação Científica oferecido no primeiro semestre de cada ano); você deve acompanhar o edital específico da instituição para essas informações.
(Fonte: Página do CNPq)
Na Santa
Processo de Seleção de Bolsistas para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica PIBIC/CNPq da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: fiquem atentos ao site da FCMSCSP e às atualizações nas redes sociais do DCMA para ficar por dentro das novidades!!
Bolsa FAPESP
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) oferece Bolsas de Iniciação Científica que podem ser requisitadas durante todo o ano, via Sistema SAGe. Diferente da bolsa PIBIC, a FAPESP não tem cota de bolsas disponibilizadas para a FCMSCSP, sendo cada pedido analisado individualmente.
Duração da bolsa
A bolsa é concedida por período de um ano, com início no dia 01 de cada mês, podendo ser feita requisição de renovação. A vigência da bolsa não pode ultrapassar a data do término do curso de graduação do bolsista.
Valor
A bolsa de Iniciação Científica para o estudante de graduação corresponde ao valor constante da Tabela de Valores de Bolsas no País .
Este valor atualmente é de R$1140,00 (verificado em Fevereiro de 2026).
Requisitos
Estar cursando a graduação, ter concluído número suficiente de disciplinas relevantes para o projeto e ter bom desempenho acadêmico, o que deve ser comprovado pelo histórico escolar. O histórico escolar simples, onde consta apenas a lista de disciplinas em que o(a) aluno(a) foi aprovado(a), não é suficiente: é necessário que o documento inclua as médias finais e também informar qual a nota necessária para aprovação da faculdade.
A bolsa pressupõe dedicação exclusiva ao curso e à pesquisa (mínimo de 12 horas semanais). O bolsista não pode ter vínculo empregatício nem receber bolsa de outra entidade, salário ou remuneração decorrente do exercício de atividades de qualquer natureza, durante toda a vigência da bolsa.
O candidato também deve estar em dia com a FAPESP (emissão de pareceres e devolução de processo, entrega de Relatório Científico e Prestação de Contas), sob pena de bloqueio na liberação de recursos.
(Fonte: Página da FAPESP)
Na Santa
A requisição neste caso é feita diretamente à FAPESP: os casos não são analisados pela FCMSCSP.
Relatórios Parciais
Os relatórios parciais são um compilado de tudo o que foi feito até a metade do estudo e um breve comentário sobre os resultados obtidos até agora. Dessa maneira, deve conter:
Dados do projeto: título do projeto, autor(a), orientador(a), e-mail e telefone do(a) pesquisador(a);
Resumo do projeto, com objetivos, métodos e resultados parciais (máximo de 30 linhas) e um breve comentário sobre os resultados parciais;
Justificativa da não consecução dos objetivos previstos (se for o caso);
Justificativa de alterações no projeto (se for o caso);
Cronograma a ser seguido até a data final;
Local, data e assinatura do(a) pesquisador(a) e do(a) orientador(a).
Esses relatórios devem ser encaminhados à Comissão Científica, geralmente, em fevereiro.
Importante salientar que os relatórios parciais são requisitados tanto pela IC com bolsa PIBIC quanto pela IC sem bolsa. Relatórios requisitados em IC-Fapesp tem orientações específicas publicadas no site.
Relatório Final
O relatório final é a prestação de contas ao órgão de fomento ou à Comissão Científica, em que o(a) aluno(a) mostra todos os resultados obtidos, interpreta-os e os discute tirando conclusões a partir deles. A data para a entrega de cada relatório será informado para os autores após a aprovação do projeto para ser iniciado.
Apresentação no Fórum Científico
O Fórum Científico é um evento em que todos os alunos com bolsa PIBIC e IC-FCMSCSP apresentam seus projetos e resultados até o momento. Os alunos com IC sem bolsa são convidados a apresentarem também, sem obrigatoriedade. Participam também do evento a Comissão Científica e o Comitê Externo de Avaliação que realizou a análise inicial dos projetos. Geralmente ocorre em outubro, e o dia é reservado no calendário letivo da FCMSCSP para o evento, sem aulas, para que todos os alunos possam comparecer e assistir as apresentações.